Estrutura
RACISMO AMBIENTAL
EIXOS
ENSINO
EXTENSÃO
O eixo tem como objetivo estudar e refletir a atualidade do debate sobre o racismo ambiental, entendendo-o como problemática de interesse socioespacial e como ferramenta analítica de tomada de consciência e de transformação social contra-hegemônica capitalista.
A pesquisa resgata a trajetória do conceito de justiça ambiental e de racismo ambiental, originado nas lutas negras nos Estados Unidos, que demonstraram cientificamente que a variável raça é central para explicar a localização de depósitos tóxicos e outros empreendimentos poluentes. O racismo ambiental é definido como a distribuição desigual de riscos e benefícios ambientais, a aplicação seletiva da legislação e a exposição de grupos racializados a tóxicos, agrotóxicos e empreendimentos de alto impacto. No contexto periférico do capitalismo, como o Brasil, isso se intensifica: povos indígenas, agricultores familiares e moradores de favelas e periferias são expostos de forma recorrente aos conflitos ambientais.
Além disso, o eixo analisa tragédias ambientais como expressões clara do racismo ambiental e de um modelo hegemonico orientado pela lógica do lucro. As tragédias ambientais resultam em vulnerabilidades: mortes, adoecimentos físicos e psíquicos, destruição de modos de vida e apagamento cultural, sobretudo em populações pobres e racializadas.
Por fim, o eixo territorializa o debate no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, mostrando como o racismo ambiental atravessa tanto o campo quanto a cidade. No campo, o agronegócio, a concentração fundiária, o uso intensivo de agrotóxicos e a criminalização de acampamentos e assentamentos. Nas cidades de Uberaba e Uberlândia, se expressa na expansão de periferias, em ocupações urbanas, na precariedade da moradia, na falta de saneamento, saúde e transporte.
O eixo ainda faz um recorte na Escola Municipal Terezinha Hueb, evidenciando como a saúde, assistência social e educação são distribuídas de forma desigual, atingindo majoritariamente a população negra, o que escancara o racismo ambiental como uma engrenagem que estrutura a negação de direitos básicos às populações negras e periféricas, e que só pode ser enfrentado a partir de um projeto de justiça socioambiental radicalmente antirracista.
