top of page

Eixos

EDUCAÇÃO POPULAR

O eixo da educação popular se propõe a compreender a contribuição da educação popular para as esferas das lutas territoriais, especificamente, em Uberaba e região.​

A investigação tem como objetivo contribuir com a construção de uma educação pública, gratuita, de qualidade e emancipatória, através da proposição de uma agenda de atividades que potencialize abordagens ancoradas na educação popular.​

A pesquisa recupera a formação histórica do conceito da educação popular no Brasil e destaca autores como Paulo Freire, Fals Borda e Brandão para defender uma abordagem crítica, dialógica e comprometida com a transformação social. Nessa perspectiva, a educação popular é entendida como instrumento político de emancipação, que valoriza saberes locais, reconhecendo os sujeitos como protagonistas do conhecimento e se opõe à lógica tecnocrática e mercadológica do ensino. Além disso, o estudo também articula a perspectiva decolonial ao conceito da educação popular, enfatizando a necessidade de superar as heranças coloniais que moldam o pensamento e a educação.​

A pesquisa analisa ainda o impacto do agronegócio e da política de fechamento das escolas rurais, que precarizam o acesso à educação no campo, como observado no Assentamento Emiliano Zapata (MST), em Uberlândia. Da mesma forma, amplia o olhar para as periferias urbanas de Uberaba, a partir da parceria com a Escola Terezinha Hueb, onde o racismo e a desigualdade evidenciam expressões da questão social presentes no cotidiano escolar. Ao final, o eixo reafirma que a educação popular é uma ferramenta essencial para fortalecer identidades, promover consciência crítica e construir práticas educativas que dialoguem com as realidades dos territórios populares.​

Assim, a pesquisa defende a educação como um direito e como instrumento de transformação social, capaz de fomentar resistência, participação e emancipação nas comunidades do campo e da cidade.

LUTA PELA TERRA

O eixo tem como objetivo compreender a atuação dos movimentos sociais e grupos organizados de luta nos campos e nas cidades, com destaque ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e povos originários. A pesquisa aborda a luta pela terra no Brasil como expressão histórica e atual da questão agrária, marcada pela violência, concentração fundiária e resistência dos povos do campo e dos povos originários. Além disso, a pesquisa enfatiza o papel dos movimentos sociais na organização dessa resistência, em especial o Movimento Indígena e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).  O estudo faz um recorte para a região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, região altamente marcada pelo agronegócio e por conflitos territoriais. Uberaba e Uberlândia aparecem como espaços de desigualdade e disputa de terras. 

Nesse contexto, a pesquisa se articula ao Assentamento Emiliano Zapata, em Uberlândia, que tem uma trajetória de ocupações e lutas do MST, compreendido como território de resistência, produção de alimentos, sendo referência na região.​

Por fim, o eixo relaciona a luta pela terra ao debate sobre agrotóxicos, direito à alimentação e agroecologia. A pesquisa critica o uso massivo de venenos e transgênicos, a violação sistemática do direito humano à alimentação adequada, bem como a contradição entre o discurso de garantia de segurança alimentar e a prática estatal de liberação de agrotóxicos.

RACISMO AMBIENTAL

O eixo tem como objetivo estudar e refletir a atualidade do debate sobre o racismo ambiental, entendendo-o como problemática de interesse socioespacial e como ferramenta analítica de tomada de consciência e de transformação social contra-hegemônica capitalista.​

A pesquisa resgata a trajetória do conceito de justiça ambiental e de racismo ambiental, originado nas lutas negras nos Estados Unidos, que demonstraram cientificamente que a variável raça é central para explicar a localização de depósitos tóxicos e outros empreendimentos poluentes. O racismo ambiental é definido como a distribuição desigual de riscos e benefícios ambientais, a aplicação seletiva da legislação e a exposição de grupos racializados a tóxicos, agrotóxicos e empreendimentos de alto impacto. No contexto periférico do capitalismo, como o Brasil, isso se intensifica: povos indígenas, agricultores familiares e moradores de favelas e periferias são expostos de forma recorrente aos conflitos ambientais. 

Além disso, o eixo analisa tragédias ambientais como expressões clara do racismo ambiental e de um modelo hegemonico orientado pela lógica do lucro. As tragédias ambientais resultam em vulnerabilidades: mortes, adoecimentos físicos e psíquicos, destruição de modos de vida e apagamento cultural, sobretudo em populações pobres e racializadas.

Por fim, o eixo territorializa o debate no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, mostrando como o racismo ambiental atravessa tanto o campo quanto a cidade. No campo, o agronegócio, a concentração fundiária, o uso intensivo de agrotóxicos e a criminalização de acampamentos e assentamentos. Nas cidades de Uberaba e Uberlândia, se expressa na expansão de periferias, em ocupações urbanas, na precariedade da moradia, na falta de saneamento, saúde e transporte. 

O eixo ainda faz um recorte na Escola Municipal Terezinha Hueb, evidenciando como a saúde, assistência social e educação são distribuídas de forma desigual, atingindo majoritariamente a população negra, o que escancara o racismo ambiental como uma engrenagem que estrutura a negação de direitos básicos às populações negras e periféricas, e que só pode ser enfrentado a partir de um projeto de justiça socioambiental radicalmente antirracista.

FORMAÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA

O eixo parte do resgate da presença indígena na formação sócio-histórica do Triângulo Mineiro, mostrando como esses povos foram apagados por um projeto colonial que os homogeneizou sob o rótulo “Caiapó”, apagando etnias, línguas e histórias distintas. Articulado a isso, o eixo retoma a questão agrária e a centralidade do MST na luta pela terra no Brasil e no Triângulo Mineiro. No contexto regional, assentamentos como Tereza do Cedro, Dandara, Santo Inácio (Campo Florido) e Emiliano Zapata (Uberlândia) expressam  a resistência camponesa e a disputa contra o latifúndio. O MST aparece como expressão organizada da luta de classes no campo.
O eixo também mostra como, no século XXI, o agronegócio captura o currículo e a própria ideia de educação no Triângulo Mineiro. Programas técnicos voltados à “empregabilidade” rural reforçam a lógica de formar mão de obra barata para o complexo agroexportador, esvaziando o debate sobre direitos, conflitos socioambientais e história dos povos do campo.
Por fim, a análise da educação em Uberaba e Uberlândia revela a escola como território em disputa entre o projeto do capital e os projetos populares. Há avanços importantes, mas ainda persiste um descompasso entre a normatização e a aplicação concreta nos territórios marcados pelo racismo ambiental, desigualdade de acesso aos serviços públicos e invisibilização de conflitos agrários e das culturas indígenas e camponesas. O eixo ainda aponta que transformar a educação na região exige romper com a dependência do financiamento e das diretrizes educativas em relação aos interesses do agronegócio.

Casa PET - UFTM

R. do Carmo, 413 - Nossa Sra. da Abadia, Uberaba - MG, 38025-000

PET Conexão de Saberes - Licenciaturas e Serviço Social

Uberaba-MG

EMAIL PARA CONTATO:

petcscsn@gmail.com

  • Instagram
bottom of page